por Mariana Lima Pereira, jornalista voluntária

Guiné-Bissau, na costa ocidental do continente africano, é um país com muitos problemas de ordem social e econômica. Oficialmente falante de língua portuguesa (embora predomine o dialeto criolo), sua população, cuja expectativa de vida gira em torno dos 45 anos, convive com alto índice de mortalidade infantil, doenças como cólera, dengue e paludismo, crise de abastecimento de energia elétrica e de saneamento básico, além de enfrentar a falta de acesso à educação e saúde de qualidade.

Disseminação Guiné-Bissau

É neste cenário que a Fundação Gol de Letra teve a oportunidade de levar, pela primeira vez para fora do Brasil, suas práticas socioeducativas. Desde 2009 a Gol de Letra mantém um trabalho de disseminação de suas práticas junto a outras organizações que desejam replicá-las como forma de contribuir para transformações sociais. O trabalho começou a ser organizado por uma pequena equipe de profissionais da casa e teve sua primeira ação nas cidades de Barro Alto, Niquelândia e Ouvidor, no estado de Goiás, onde atuam a convite da mineradora Anglo American. Em 2010, 25 pessoas de três organizações receberam capacitação para desenvolverem projetos com foco na Educação Integral.

Em Bissau, capital da Guiné-Bissau, o principal objetivo da Disseminação é capacitar uma associação para desenvolver atividades esportivas e culturais.

Olga Lembo, coordenadora das áreas Social e Disseminação na Fundação Gol de Letra, conta sobre projeto da Fundação em Guiné-Bissau e do trabalho de levar nossas práticas além dos muros da Fundação, que ela coordena ao lado do Analista de Disseminação Edgard Arantes. Juntos eles somam 15 anos de contribuição à Gol de Letra.

BlogComo surgiu a ideia de levar o trabalho da Gol de Letra à Guiné-Bissau?

Olga – O Raí já havia apresentado a proposta da Disseminação em uma conversa com o ministro Marco Farani, responsável pelas ações da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), ligada ao Ministério das Relações Exteriores Brasileiro. Nós fomos então convidados a integrar uma equipe de cooperação brasileira na Guiné Bissau, que é membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). A ideia inicial era pensar numa proposta que pudesse levar a prática desenvolvida pela Fundação Gol de Letra em alguma ação social já existente. Concomitante ao convite, recebemos uma carta de uma Associação guineense chamada Amizade, solicitando apoio para a construção de uma escola na região do Bairro de São Paulo, na cidade de Bissau.

BlogA Fundação Gol de Letra é parte de uma equipe de coperação, então…

Olga – Sim, nesse momento fazem parte do projeto além da própria ABC, que coordena o projeto; a UNESCO, a Fundação Gol de Letra, com a proposta de Disseminação das práticas; o MEC brasileiro, com a proposta do Programa Escola Aberta; o Instituto Elos com proposta de mobilização comunitária para a construção do prédio escolar em regime de mutirão; o MEC de Guiné-Bissau, na estruturação formal da escola e cessão de corpo profissional e o Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento Distrito Federal (IAB-DF), com o lançamento de um concurso para a seleção de projeto arquitetônico para a escola.

Disseminação Guiné-Bissau

BlogQuais as semelhanças e diferenças entre comunidades brasileiras e a de Guiné-Bissau?

Olga – O Brasil vive hoje, claro que ainda com muitas dificuldades, um momento de estruturação das políticas de direitos sociais, cada vez mais presente no cotidiano das pessoas. Guiné-Bissau não consegue oferecer educação para todas as crianças, as famílias escolhem os filhos que estudarão e os que não, falta saneamento e energia elétrica pra todos. Os tempos são diferentes entre os países e isso influencia muito nas expectativas. No cenário internacional atual, o Brasil se apresenta não mais como um país para receber cooperação e sim oferecer.

1 comentário:


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Tenho muito orgulho de estar representando a Fundação Gol de Letra e as demais instituições brasileiras aqui na Guine-Bissau.
Sem duvida, é um trabalho que, a longo prazo mudará a forma como esse país encara a educação, pois representa um novo jeito de pensar o processo formativo de crianças e jovens neste país de povo tão rico,mas de muitas dificuldades sociais.
Parabens a todos nós da FGL por disseminarmos esse jeito de fazer.

7 de novembro de 2011 16:51

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