Projeto Legado Olímpico: jovens concluem intercâmbio na Inglaterra

Participantes relatam suas experiências, impressões e o que levam de “bagagem” para a vida

Foram oito meses de novos desafios, aprendizados, descobertas e algumas aventuras para contar. De volta ao Brasil, os jovens ligados à Gol de Letra que participaram do Projeto Legado Olímpico (Olympic Legacy) como voluntários intercambistas (European Voluntary Service – EVS, na sigla em inglês), compartilharam um pouco das experiências vividas na Inglaterra.

Douglas Oliveira e Victor Lima, ambos moradores da Vila Albertina, em São Paulo, e ex-participantes das atividades oferecidas pela Fundação Gol de Letra no bairro, embarcaram em maio para a cidade de York, a cerca de 320 km de Londres. A missão era atuar em atividades esportivas e educacionais em escolas públicas e projeto sociais vinculados à organização inglesa Everything is Possible, parceira da iniciativa. O intercâmbio de longa duração previsto no projeto teve como objetivo principal promover trocas importantes no âmbito do esporte educacional entre os jovens e as organizações participantes.

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As novidades eram muitas: país novo, idioma diferente, pessoas desconhecidas, morar sozinho, assumir responsabilidades novas, fazer tarefas domésticas, aprender e partilhar conhecimentos.

Nas primeiras semanas houve dificuldades, é claro! A primeira delas foi o clima. Difícil se habituar aos 10°C da primavera na Europa, e nada comparado aos -5°C do inverno. Depois, a inserção nos ambientes que tinham de frequentar. O impacto do dito “comportamento frio” dos ingleses assustou um pouco no primeiro momento. “Quando chegamos não estávamos tão preparados para o frio e as atividades eram ao ar livre. Lá não importava se estivesse chovendo ou não,tinha treino do mesmo jeito. Outra coisa foi se acostumar com o jeito deles, muito diferente da afetividade dos brasileiros, mas depois que entendemos como lidar com isso fluiu bem”, explica Victor.

Atividades esportivas, campings e novas experiências
Os dois jovens começaram suas atividades na i2i Football Academy, que oferece treinos de futebol para crianças, adolescentes e jovens de 4 a 24 anos. Ali auxiliavam os treinadores e acompanhavam as atividades diárias, e logo na primeira semana participaram de um acampamento de férias.

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Passada a ambientação, hora de ter outras experiências. Os dois passaram a atuar no escritório da i2i: Victor na área de Marketing, na qual fazia trabalhos de design, e Douglas auxiliando na área financeira.

Em seguida, foram recebidos na Manor Church of England Academy, escola secundária da cidade. Lá eles ajudavam os professores durante as aulas de educação física, inglês e artes. “Foi muito interessante essa experiência, os professores nos solicitavam bastante e pudemos adquirir conhecimentos diversos, por exemplo, em modalidades esportivas que nem conhecíamos como rugby, críquete e hockey, esportes populares no país”, afirma Douglas. Com conhecimentos na área, Victor iniciou um clube de fotografia para as crianças durante os intervalos. “Lá eles têm uma hora de almoço e é muito comum fazerem alguma atividade nesse período, seja um esporte ou aula de música, por exemplo. Lancei a ideia do clube de fotografia e consegui ter duas turmas. A primeira com oito e a segunda com 25 alunos, entre 12 e 13 anos. Ensinava o básico como segurar a câmera, lente, foco, foi muito legal!”, diz animado.

Na escola, os jovens também acompanharam o tradicional acampamento “Duke of Edinburgh”, com atividades de sobrevivência e liderança para os alunos.

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Próxima parada: Festival de Música de Leeds, cidade ao lado de York. Durante os quatro dias de evento eles trabalharam no projeto de reciclagem do festival, coletando latas e no atendimento da tenda de troca de copos descartáveis.

Paralelamente às atividades na Manor School, os intercambistas começaram a frequentar um curso de inglês para estrangeiros, primeiro na Universidade de York e depois em uma escola de inglês, etapa importante para enriquecer o conhecimento do idioma.

Treinamentos Erasmus +
Durante o período em que estiveram lá os voluntários participaram de dois treinamentos oferecidos pelo Erasmus+, programa de intercâmbio da União Europeia, através do qual o projeto foi realizado.

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O primeiro aconteceu em Downhan Market, pequena vila no lado leste do país, e reuniu um grupo de voluntários atuantes no Reino Unido. O objetivo foi apresentar o programa aos participantes e ajudá-los com a adaptação, oferecendo dicas de como viver com recursos limitados, onde fazer compras e explicando um pouco sobre os hábitos e cultura locais.

O segundo encontro foi realizado em Glasgow, Escócia, e serviu como um momento de avaliação. Também foram apresentadas oportunidades de atuação, treinamentos e certificados oferecidos pelo Erasmus+.

Diferenças culturais e curiosidades
Viver fora do país implica em ampliar o repertório cultural e a visão de mundo de quem se propõe a essa experiência. Quanto a isso, Douglas e Victorse divertem ao contar: “No café da manhã é comum eles comerem linguiça, bacon, feijão com molho, cogumelo e tomate assado. Já no almoço é algo bem rápido, normalmente um sanduíche, um wrap ou sopa”, lembra Douglas. O prato tradicional que mais gostaram foi o Sunday Roast, composto de um assado de carne, normalmente rosbife, acompanhado legumes e de Yorkshire puddings,espécie de pão feito com massa especial.

E o jeito sério dos ingleses logo foi deixado em segundo plano: “Percebemos a educação como algo essencial ao estilo de vida inglês. É “obrigado” e “me desculpe” para absolutamente tudo. Há um respeito muito grande pelo outro e por cuidar da cidade onde se vive. Eles também não são nada consumistas nem apegados a coisas materiais”, elogia Victor.

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Dos hábitos, o que também chamou a atenção foi a tranquilidade, o silêncio da cidade e a ausência de portões nas casas, além do lado festivo. “Eles entram no clima das festas de verdade, vimos muita decoração de Natal, mercados típicos nessa época do ano, sem contar o Halloween que teve uma comemoração bem divertida com as crianças na nossa rua”, conta Victor.

No final, o que ficou foi uma vivência que servirá para toda a vida. Resumindo em poucas palavras, para Douglas foi um ganho cultural, no sentido de convivência; uma oportunidade de evoluir no idioma; e uma experiência única de vida. E para Victor participar desse projeto contribuiu para sua comunicação e cultura e foi a concretização de um sonho.

Agora, os dois jovens terão de levar adiante seus aprendizados, conhecimentos e experiências adquiridas, compartilhando com profissionais e monitores da Fundação Gol de Letra.

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O projeto Legado Olímpico é realizado desde 2016, ano dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, com apoio do Erasmus+, em parceria com as ONGs Everything is Possible (Inglaterra) e Polgár Foundation (Hungria), e terá seu encerramento em julho de 2017, em um encontro na Hungria. Conheça mais e acompanhe todos os acontecimentos pelo site: http://olympiclegacy.eu/

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