Oficina aborda questões ligadas à mulher na Vila Albertina (SP)

Atividade fez parte do Projeto Sexualidade em Ação, que trabalha as questões de gênero, diversidade, saúde e direitos sexuais e reprodutivos

“Ser Mulher hoje: desafios e urgências”, esse foi o tema de uma oficina composta por três encontros realizados na comunidade da Vila Albertina (SP) durante o mês de abril.
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Gabriela Moura, que é relações públicas, integrante do Coletivo Não Me Kahlo e co-autora do livro “Meu Amigo Secreto: feminismo além das redes” (Edições de Janeiro), conduziu as atividades com um grupo formado por agentes sociais da Fundação, colaboradorxs e moradoras do bairro. Todxs foram convidadas a debater e refletir sobre questões importantes que ainda precisam ser superadas no âmbito da luta pela igualdade de gênero.

Estereótipos da mulher na sociedade e na mídia; cultura do machismo; relacionamentos abusivos; educação dos filhos; violência doméstica; Lei Maria da Penha – legislação e prática; e empoderamento feminino foram alguns dos temas que permearam as discussões.

O ambiente aberto dos encontros favoreceu para que cada uma das mulheres se identificasse com situações vividas umas pelas outras e criou um clima muito favorável ao debate sobre o que é preciso fazer na prática para modificar comportamentos, ideias, conceitos e julgamentos, mesmo que pouco a pouco.

A agente social Maria das Dores da Silva, 30 anos, falou sobre a experiência de ter participado da atividade: “Sou mãe e esposa, e desde que eu entrei aqui na Fundação expandi muito a minha mente. Aprendi muita coisa e o que eu quero daqui pra frente é me tornar uma multiplicadora, transmitir para outros tudo o que eu aprendo aqui”.
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A exibição do documentário “Violência contra a mulher: um sentimento único” provocou incômodo, revolta, repulsa e impotência frente à uma realidade tão presente no cotidiano de mulheres de todas as classes sociais. Dados da ONU (Organização das Nações Unidas) apontam que a violência contra a mulher cresceu 60% nos últimos 10 anos. E esse é apenas um dos dados alarmantes de nossa sociedade.

Diante de tantas urgências, Gabriela Moura deixou uma palavra de estímulo para que cada um(a) identifique situações de machismo e violência contra a mulher e não deixe de lutar: “A experiência foi incrível. Esse é o tipo de atividade que eu e as meninas do meu coletivo sempre nos empenhamos para tentar ajudar, porque a gente acredita que isso traz resultado efetivo. Sempre vemos o feminismo sendo colocado na mídia como uma coisa bonita e legal, e não é exatamente assim. É uma luta de dores. Estar aqui hoje foi ver mulheres iguais a mim, eu me reconheci muito nelas e nas histórias. Realmente eu espero que possa ajudá-las a levar isso para fora, conversar com amigas, vizinhas, filhas, mães, irmãs, com seus companheiros… O meu objetivo é dar para essas mulheres força para que elas possam falar para mais pessoas e oferecer caminhos que um dia foram oferecidos a mim. Estou aqui como uma multiplicadora formando multiplicadoras, é uma ramificação que precisa se expandir. Não existe sonho utópico, existe luta muito árdua”.
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A responsável pelo projeto Sexualidade em Ação, Cristiane Mariano Narciso, avaliou o encontro como muito positivo: “Que a empatia com que cada uma falou aqui e se sentiu fortalecida e acolhida por esse grupo possa servir de alerta para que essas experiências não se repitam e nos fortaleça a cada dia.”

O Projeto Sexualidade em Ação é realizado na Vila Albertina e oferece oficinas para adolescentes e jovens que participam dos projetos da Gol de Letra, alunos e educadores de escolas públicas da região.

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