Entrevistas
 
Elaine Dias entrevista Oficina Social Produções Artísticas

Autor - Elaine Dias

Foto - Elaine Dias

Data: 26/09/2007



Produção que gera arte e emoção

Quando um ator, professor e diretor de teatro se junta a uma arquiteta de formação, apaixonada por teatro, o resultado só poderia ser a construção de um trabalho sólido, calcado em muita criatividade, sensibilidade, dedicação, vontade de ensinar e incentivar o desenvolvimento de novos talentos. Assim é a parceria entre Geraldo Demézio e Karla Marttins, fundadores da Oficina Social Produções Artísticas (OST). Criado em 2000 com o objetivo de buscar espaço para produzir trabalhos próprios, o projeto desenvolve atualmente diversas iniciativas no universo artístico. Um deles é a Oficina Social de Teatro, que oferece cursos no SESC Niterói desde 2002, e atualmente no Centro Cultural Paschoal Carlos Magno e no Espaço Cultural Tribo Urbana, em Niterói. Em entrevista com a dupla, podemos saber mais sobre horário das aulas, vantagens em praticar artes cênicas e ainda conhecer alguns projetos especiais da Oficina.

Como vocês dividem as aulas de teatro? Em que dias e horário elas acontecem?
Dividimos o curso para turmas de iniciantes (oficinas livres) e de montagem. E as aulas acontecem aos sábados e terças, na parte da tarde.

Qual a diferença entre elas? E qual o tempo de duração do curso?
Cada modalidade dura um ano. Nas aulas para iniciantes valorizamos atividades que estimulem a interpretação, a improvisação e a expressão corporal. A mesma coisa acontece nas oficinas de montagem, mas nestas aulas ensinamos como usar tudo isso. Há uma diferença de carga horária também.

Quantas turmas vocês possuem atualmente e qual o perfil deste público?
Temos três turmas. Geralmente são integradas por alunos entre 13 e 60 anos, com predominância da faixa etária entre os 18. As pessoas que buscam a OST são movidas por interesses diversos como a vontade de ingressar no universo artístico ou de melhorar a comunicação interpessoal. Em sete anos foram mais de dez turmas de teatro formadas, além de trabalhos para empresas como SIEMENS, SENAC RJ, Beleza Natural, Barcas SA, Fundação de Artes e Fundação Municipal de Educação de Niterói.

Vocês contam com uma equipe de trabalho?
Temos duas pessoas fundamentais que nos ajudam muito. O Leonardo Hinckel, que é professor de teatro, e o Nelson Reis, ator, coreógrafo e diretor de uma de nossas peças, Alucinação em uma hora.

Além das oficinas, que outros trabalhos desenvolvem?
Apresentação de esquetes teatrais como forma de experimentação artística e de formação de platéia. Ainda com esse intuito realizamos periodicamente leituras dramatizadas de textos como O Santo e a Porca, “Lisístrata, Dois Perdidos numa Noite Suja, entre outros. Estamos também desenvolvendo um novo projeto chamado Teatro Grátis.

Fale um pouco mais sobre esta iniciativa.
O Projeto Teatro Grátis foi inaugurado em abril de 2007 com o intuito de levar a Oficina Social de Teatro ao encontro da população. A primeira iniciativa constou de uma aula de teatro gratuita que será ministrada a cada primeiro sábado do mês na quadra de patinação do Campo de São Bento, em Icaraí. Em agosto, o projeto passou a contar com o patrocínio da Casa Tévere, o que possibilitou incrementar a ação mensal com a confecção de material de divulgação, além da compra de materiais para as aulas e ajuda de custo para os profissionais envolvidos.

A primeira experiência em torno da ação trouxe resultados?
O sucesso das aulas gratuitas nos levou à experiência da apresentação de um espetáculo no mesmo local, testando o horário noturno, com excelente retorno. Alucinação em uma hora foi assistido por um público bastante heterogêneo formado por crianças, jovens e adultos de todas as classes sociais, revelando o potencial que o Projeto Teatro Grátis tem de atrair a atenção das pessoas, despertando nelas o interesse pela arte teatral.

Quem pode participar das aulas gratuitas no Campo de São Bento? Como são estas aulas?
A aula tem duração de uma hora e meia, sendo o conteúdo ministrado por professores da OST. Crianças que freqüentam a quadra de patinação nos finais de semana são convidadas a participar da atividade. O projeto também inclui um espetáculo mensal, sempre à noite, com participação da própria OST ou de outros grupos amadores de teatro, dança ou circo provenientes de Niterói e adjacências.

Como vocês divulgam este trabalho? Quem são seus parceiros?
Através da Agenda Cultural feita pela Fundação de Arte da cidade e distribuída gratuitamente à população, assim como da sua assessoria de imprensa. O Teatro Grátis também é uma forma de divulgação. Listamos como nossos parceiros o projeto Arte Jovem Brasileira, que cede o som aos nossos eventos; o Espaço Cultural Tribo Urbana, entre outros.

Na ocasião da inauguração da quadra poliesportiva da Fundação Gol de Letra na Comunidade do Jacaré vocês marcaram presença com atividades de recreação. Como surgem estes convites?
Geralmente são indicações de pessoas que nos conhecem do SESC principalmente.

Cite alguns textos que vocês já apresentaram no palco.
Entre os mais recentes: Alucinação em 1 hora, de Nelson Reis; Um Doente mais que Imaginário, adaptação do original de Molière por Layla Baptista e O Mentiroso, de Carlo Goldoni. 

Que tipo de benefícios a prática do teatro pode trazer para as pessoas como seres humanos?
A desinibição é a primeira vantagem. As pessoas encontram meios de se comunicar mais facilmente, adquirem mais coragem. Existem casos alunos que tomaram rumos completamente diferentes na vida porque adquiriram outra visão de vida.

Quais são as maiores dificuldades que vocês encontram em sala de aula para lidar com jovens, já que eles são a maioria de seus alunos?
Manter a disciplina hoje em dia é o mais difícil. Se a aula não entretém o aluno fica difícil controlar. Professores devem ser verdadeiros espetáculos em forma de gente. Outro ponto é a questão da leitura. Se a pessoa não tem a base, apresenta dificuldades na hora de interpretar, decupar textos, enfim.

Vocês citaram algo que intitularam de Incubadora de Talentos. O que é isso?
O projeto Teatro Grátis também contemplava a oferta de duas bolsas de estudos integrais e duas parciais nas Oficinas da OST. O excelente resultado do espetáculo Alucinação em 1 hora (peça de formatura do curso básico) no Campo de São Bento nos fez concluir que, melhor do que oferecer algumas bolsas por ocasião da abertura de turmas, é manter um espaço permanente de ensaios para nossos próprios alunos de nível mais avançado, já que estes estão demonstrando merecer maior investimento no aperfeiçoamento de seus talentos.

Qual é o maior orgulho da OST?
Ver os alunos se desenvolverem, se profissionalizarem.

O que pensam para o futuro?
Devido a sua grande aceitação do projeto Teatro Grátis, estamos ampliando as possibilidades de atuação no Campo de São Bento, e partindo também para a busca de novos locais públicos para onde o projeto possa se expandir. Pensamos em São Gonçalo, Marica, por exemplo. Um dos outros sonhos é montar uma cia. de teatro que represente Niterói. A cidade precisa de um grupo que viva o teatro de segunda a segunda.

Como fazer para quem quiser participar da Oficina Social?
Basta entrar em contato com a gente pelos telefones 2721-0468 ou 8724-0468. O e-mail oficinasocial@gmail.com é outro caminho.


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