Empoderamento feminino através da arte: o processo de formação das Agentes Sociais

Cordel, pinturas, poemas, desenhos e outros formatos textuais e visuais são alguns dos materiais produzidos pelas Agentes Sociais do Rio de Janeiro e de São Paulo durante o processo formativo ao longo de 2021 e apresentados na II Cartilha de orientação do Projeto de Formação de Agentes Sociais, que você encontra aqui.

Esse material é fruto do desenvolvimento de atividades que permearam a temática dos 21 dias de ativismo pelo fim da Violência contra a Mulher, uma campanha mundial que sempre acontece entre novembro e dezembro para conscientizar sobre os diferentes tipos de agressão contra meninas e mulheres em todo o mundo.

Nesse sentido, as artes visuais e literárias foram usadas como uma metodologia participativa entre as Agentes Sociais para trabalhar as temáticas de violência contra a mulher, considerando suas expressões no cotidiano das negras, moradoras de favela e vivências na pandemia.

Para isso, as atividades foram realizadas de forma integrada entre as agentes de São Paulo e do Rio de Janeiro, no período de agosto a novembro de 2021, pensando a temática, as formas de enfrentamento de maneira coletiva e a expressão artística, a partir de oficinas expositivas, artísticas e de atividades práticas.

AS OFICINAS ARTÍSTICAS

A partir das histórias de vida, das lembranças e memórias, dos desenhos, do autorretrato, as participantes puderam resgatar outras mulheres como referência. Os desenhos anunciam e denunciam, expressam a pandemia para cada uma, falam da diversidade, da luta das mulheres e pensam possibilidades para romper com uma sociedade patriarcal e machista.

Segundo a educadora Caroline Luz, responsável pelas oficinas artísticas do projeto, uma das temáticas abordadas na oficina foram as mulheres símbolos de resistência. “Falamos sobre artistas que utilizaram a arte como forma de resistir, como Frida Kahlo, Rosana Paulino, Maria Auxiliadora, entre outras, mas também como podemos identificar esses traços de resistência também em mulheres ao nosso redor. Fizemos o exercício de observa-las com olhos de amor e registra-las de forma artística”.

A agente Carla Morais Silva fez um desenho de Iemanjá, a Rainha dos Mares. Em depoimento, ela conta: “Considero que nós mulheres somos tão poderosas como a força das águas. Somos assim, tempestade e calmaria, moldáveis, nos adaptamos às adversidades, somos maravilhosas. Sem água não tem vida. Assim somos nós”.

Durante o processo formativo, as agentes contaram e recontaram suas histórias, expressaram suas dores, suas alegrias, seus sonhos e desejos, se conheceram de outras maneiras, se reconheceram em outras mulheres e criaram um espaço em comum de troca, oportunizando um novo esperançar.

Como diz o ditado, mulheres são como as águas: crescem quando se juntam.

RESISTÊNCIA

O projeto de Formação de Agentes Sociais tem como objetivo capacitar mulheres para que sejam agentes de transformação de suas realidades; contribuir para a promoção da garantia de direitos; contribuir para o desenvolvimento comunitário dos territórios da Vila Albertina e do Caju.

A promoção de atividades que fortaleçam as redes de cooperação através de ações sócio educativas garantem espaços de discussão sobre o cotidiano com o debate interseccional de gênero, diversidade, sexualidade, território, segurança pública, raça, família, etc.

Espera-se que as mulheres participantes possam se tornar agentes multiplicadoras de conhecimentos e práticas nas temáticas relacionadas ao exercício da cidadania e à garantia de direitos. Além de articular, mobilizar ações dentro da comunidade onde vivem e coletivamente com a Fundação.

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